terça-feira, 4 de agosto de 2009

"NÃO É PRECISO SER BADERNEIRO PARA PROTESTAR!"




Lidio Lima


Alguns amigos e conhecidos se disseram surpresos ao ler o que escrevi no blog do Felipe Nóbrega, o comentário foi ao seu texto sobre a denuncia do MP contra a prefeitura. Transcreverei o comentário, o comento vem logo em seguida:


“E agora José? Deve ser o que o pessoal dos Branco deve estar pensando, bomestaria se entendesse alguma coisa de poesia. Vamos trocar a frase por "Agoranós se fu!". Se bem que essa gente tem ligações no Piratini, na Câmara dosdeputados. E em tempos de Sarney "sai-não-sai" quem vai dar atenção para oencobrimento de roubalheira em uma cidadezinha no cu do mundo?(Perdão pelapalavra, não costumo usar a expressão "mundo".) Nós! Nós esteremos de olho! Essadenuncia do MP é o ponto de apoio arquimédico que nos foi dado para catapultar afamília Branco e sua camarilha da prefeitura e se possível da politica emRG. Eles tem muita gente, mas os poucos que estão do nosso lado tem bem mais qualidade! Nem que tenhamos que sair para rua para protestar(esperem fui eu quemdisse isso?), nós iremos! O que não podemos é deixar morrer essa brasa que podenos ajudar a incendiar essa gente! Acordei com síndrome deTorquemada(hehehe).”


O que surpreendeu a muitos foi o fato de eu cogitar sair as ruas em protesto(em negrito), com quem mais quisesse, contra a administração da prefeitura. Ficaram surpresos por não compreenderem algo muito simples, eu iria me manifestar em defesa de um direito meu e não em prol de um “bem comum” ou “do povo”.Creio que não seja em si uma simples incompreensão, mas sim a demonstração de um treinamento, ou adestramento, cultural. Os anos e anos em que todos estão habituados a ver todo o tipo de demagogo e bandoleiro sair as ruas, e os levar junto, erguendo a bandeira do “bem comum”. Eles, ainda, caem nessa!A questão principal é que sairia, e sairei se for necessário, as ruas para protestar em prol dos meus direitos e todos aqueles cidadãos que se sentem lesados, como eu, que venham agir em causa própria, como eu. Nunca sairei dizendo que estou na rua em prol do “fulano” ou do “ciclano” quando em verdade estou em defesa das minhas vontades e direitos. No entanto posso sair para defender o direito de outras pessoas, até o direito a coisas que não tem correlação comigo ou que eu não gosto, pois todos nós sabemos que quando um grupo tem seus direitos tolhidos logo isso se espalha.O “adestramento cultural” nos leva a crer, ao menos leva maioria, que qualquer um que cogite sair em protesto é de “esquerda” ou “revolucionário”, que pretende “defender o povo” e lutar pelos “nossos direitos”. Isso é uma tremenda bobagem. Quem sai as ruas é em defesa de seus interesses, mesmo que, como eu disse acima, não seja a situação um interesse seu , mas impedir que os indivíduos percam direitos é interesse de “todos”. Por tanto não estranhem que eu saia as ruas, brigando e xingando. Sempre será em proveito próprio, como já era de se esperar partindo de mim. Essa gente roubou a minha grana, mais a da minha mãe do que a minha, mas ainda assim é grana da família. Eu poderia ter gasto muito bem a grana do IPTU que essa gente enfiou no bolso. Porém jamais enganarei ninguém dizendo que “temos que sair as ruas para lutar pelos nosso direitos” e depois por no jornal que quem fez tudo fui eu e usar isso como trampolim politico, vocês sabem bem quem eu uso como exemplo.


"QUEM FUMA DEVE "LEVAR FUMO" DESSA VEZ?"


Lidio Lima



A câmara de vereadores de pelotas, na pessoa do vereador Ivan Duarte(PT), está tentando aprovar uma lei que proibe os cidadãos de fumar em locais fechados, sejam públicos ou privados. Me obriguei a escrever algo sobre o assuntos, visto que Rio Grande em matéria de importar lixo está cada vez mais se especializando. Está lei é mais um bom exemplo da esfera pública imergindo na privada. Os motivos pelos quais o “nobre edil” quer proibir que as pessoas tenham o direito de fumar, vicio nojento e idiota, são pessoais e frágeis. Diz ele: “Tenho três razões para a iniciativa: a morte estúpida do meu pai, por causa dessa droga; o nojo que tenho do gosto e do cheiro, e a série de movimentos contra o fumo mundo afora.”
Antes que afirmem que legislo em causa própria, afirmo que não fumo e detesto cigarro, porém como escreveu Thomas Paine: “Quem quer garantir a própria liberdade, deve preservar da opressão até o inimigo; pois, se fugir a esse dever, estará a estabelecer um precedente que até a ele próprio há-de atingir.” . Essa lei é sem propósito, tirânica e populista. Em tempos de “politicamente correto” qualquer dia arrotar vai “dar cadeia”.
Dentro de estabelecimentos públicos concordo que haja uma lei regulamentando onde pode-se ou não fumar, não abolindo esse direito do cidadão, que paga pela manutenção desses estabelecimentos. Ou fumante não paga impostos? Aliás paga mais do que a maioria, devido as leis de taxação dos cigarros feita, como uma espécie de lei antitabagista light, aprovadas pelo governo federal recentemente.
Quando entramos na esfera do privado as coisas mudam de figura. Por que o estado deve impedir que os frequentadores do meu estabelecimento, se eu tivesse um(hehehe), possam fumar se eu assim quiser, visto que o estabelecimento é meu? Se eu deixar que as pessoas fumem em todo o recinto ou em parte, os cliente que não fumam não gostarão disso e irão embora, logo eu perderei dinheiro. E quem gosta de perder dinheiro? Mas é um direito dos comerciantes perderem clientela se quiserem que seus clientes possam fumar. É algo que o próprio mercado é capaz de regular e não uma lei arbitraria criada por motivos pessoais e que só foi posta em ação por ter como exemplo outra lei arbitraria do governo de São Paulo.
Essa “moda” de tentar regular a vida dos indivíduos de uma sociedade tendo como base um “cidadão padrão”, não fumante, abstêmio, com educação e mentalidade mediana é um sinal claro de degeneração dos ideais de liberdade do individuo em nossa época. É um estupro dos direitos dos cidadãos, uma padronização que nos levará cada vez mais rápido para uma sociedade feita apenas de uma massa amorfa de pedantes janotas que mandam à forca quem der um peido em público.



sexta-feira, 31 de julho de 2009

"SERIA O FIM DE UMA ERA?"


É possível que baseado no relatório do Ministério Público(MP) esteja começando a derrocada dos "Tudor" riograndinos? Nosso Henrique VIII já morreu faz tempo, mas o seu Anglicanismo riograndino ou Branquismo, como queiram, continua ai. Tendo seus garotos iluminados e todos os tipos de milagres, como a multiplicação das dividas e o desaparecimento da receita, mas isso entra no campo do sobrenatural e não estamos aqui para debater isso.
É um pouco de ar para quem não aguentava mais respirar o ar viciado e fétido da politica proselitista de Rio Grande. Será que Roma cairá? Será que chegou a hora do grande julgamento? Não tenho certeza e temo que não.
Essas pessoas tem muito boas relações no Piratini e na Câmara dos Deputados. E em tempos em que o foco é Sarney ou gripe suína quem vai prestar atenção se uma roubalheira dessas for abafada? Quem vai reclamar dos panos quentes vindos de todos os cantos tentando livrar os rabos há muito presos?
Eu! Vou estar de olho e por sorte não só eu, inúmeros riograndinos de sacos prestes a explodir por não aguentar mais essa pouca vergonha estão de olho nessa questão. Venho a público pedir escusas aos jornais locais que poderiam ter se silenciado, mas que dessas vez, ao menos dessa vez, puseram a boca no trombone. Certo que era um trombone pocket, mas ainda assim um trombone.
Como comentei no blog do Felipe, esse pode ser nosso ponto de apoio arquimédico para por para fora essa cambada e a camarilha de subalternos que os cerca, que os sustenta a base de dinheiro e saliva. É triste termos que ficar nessa ansiedade de esperar os próximos capítulos dessa novela, que temo não terá final feliz. Espero que não tenha final semelhante ao da novela em que o vilão fugiu no final e deu uma "banana" para o país de dentro do avião, muito embora eu creia que vá se assemelhar muito a isso o final da nossa "o bem amado" versão papareia.
Nada pior do que se sentir de mãos atadas. E assim se sente grande parte da população riograndina diante das últimas administrações da prefeitura municipal. Todos sabemos o que ocorre por lá, as maracutaias, os desvios, a locupletação com o nosso dinheiro, mas nunca tivemos provas. Ao menos não provas tão cabais como essas e provindas de um orgão como o MP, que parece ter despertado de um sono de 16 anos! Antes tarde do que nunca, só espero que não volte a dormir tão cedo.
Algumas coisas são atemporais e para alguns se torna clichê cita-las, mas ainda assim quero citar Rui Barbosa, em 1914 ele deu um discurso no senado federal, no qual ele proferiu uma sentença que ficou famosa. Diante da situação atual da cidade, não só da cidade, ela nos mostra o estado no qual nos encontramos a nos em Rio Grande.

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."

Espero que as coisas comessem a mudar em RG, ao menos um pouco. Para que tenhamos um minimo de esperança dessa cidade prosperar.

"EU VOLTEI. VOLTEI PARA FICAR........."

A pedidos estarei novamente postando meus textos aqui no philos porque quilo, mas continuarei postando no contraponto, porém serão os mesmo textos.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

COMUNICADO

Apartir de hoje estarei publicando meus textos no blog contraponto(o link se encontra no canto da tela) é um novo projeto em união com alguns amigos, espero que todos participem.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

“Sobre meninos e lobos”

“O veneno, assim como o fogo, é dado apenas aos adultos manipular. As crianças normalmente o temem, e com razão”
Essa foi minha resposta a um amigo que vem dizendo que estou “venenoso” demais em meus textos e comentários. Ele também disse que minha afirmação era clichê, não concordo. Mas mesmo que seja ainda assim gostei dela, e também tenho direito a ser clichê de vez em quando.
Creio que o problema na verdade não seja o meu excesso de veneno, mas sim a completa “anemia” e o tom ameno e conciliador da maioria das pessoas que costumamos ler. Meu amigo Fabiano, muito embora eu não costume concordar com suas idéias, quando ataca costuma expor todo seu “veneno”. Um apena que na maioria das vezes ele mais defenda do que ataque e se perca na divagação de textos gigantescos. Por outro lado meu amigo Diego, o oposto eqüidistante do Fabiano, mais ataca que defende, muito embora sempre defenda seus princípios, tem uma ótima capacidade de síntese em seus textos os quais são carregados do “veneno divino” do sarcasmo.
Quando tratamos de assuntos como os que são tratados em meu blog, e nos blogs dos colegas, o “veneno”, a malicia, e o tom irônico são o tempero indispensável para acriação da celeuma sobre o assunto, e para que a discussão não caia no nível de conversa “água morna” ou do “papo insosso” de senhoras de meia idade sobre a novela das 20:00.
Quem teme o veneno é porque teme morrer por causa dele. Um adulto sabe que só morrerá se bebê-lo. Já as crianças... Bom, que nos importam as crianças? Que aprendam a limpar a bunda antes de vir falar de venenos.

APÊNDICE:

Demorei um pouco a postar esse texto e nesse meio tempo em algumas conversas, inclusive com uma professora que participava do programa da rádio universitária “paralelo 30”, programa que participo como convidado às vezes, cheguei a mais uma conclusão, a de que esse medo do “veneno” é um pavor instintivo da discussão, do debate, da argumentação lógica.
Não somos ensinados a praticar tais atividades e somos “adestrados” a concordar. Concordar com a família, com os professores, com o estado, com a opinião pública, em suma concordar com qualquer um que saiba articular mais de duas frases sem gaguejar (sem demérito aos gagos). E qualquer um que se negue a concordar, seja por rebeldia adolescente, que logo acabará em apatia e na tendência a trabalhar como funcionário público, seja por uma maior sensibilidade interior ou por um espírito belicoso por natureza, que o levará a escrever pelo resto da vida sobre esses assuntos mesmo que nunca venha a ser lido ou levado a sério, é chamado de venenoso, maluco entre outras ofensas que vão da duvida da sanidade a duvida da sexualidade do escritor. Sobre as reações das pessoas quanto ao “veneno” uma boa citação seria a que passarei a lhes mostrar agora ela foi retirada do livro “o Imbecil Coletivo” de Olavo de Carvalho.

NOTA À SEGUNDA EDIÇÃO

Certas reações a este livro, ultrapassando a taxa de imbecilidade média prevista, tiraram do autor qualquer dúvida que ele porventura ainda tivesse quanto à credibilidade da tese aqui
defendida, segundo a qual alguma coisa nos cérebros dos nossos intelectuais não vai bem. Primeiro foi o Paulo Roberto Pires que, não gostando deste livro, inventou outro e escreveu sobre ele em O Globo, jurando que era este. Depois vieram André Luiz Barros, Gerd A. Bornheim, Muniz Sodré, Emir Sader e Leandro Konder, que, reunidos numa página do JB de 4 de setembro, nada dizendo do livro, emitiram estes pareceres a
respeito da pessoa do autor: Não é nem homem. É um bestalhão. Não vou servir de
degrau para uma pessoa dessas. É covarde. Se apóia no poder econômico. É direitista. Não tem nem diploma.
Diante de tais perdigotos, só resta ao acusado acrescentar à sua tese as letrinhas fatídicas:
C. Q. D.

Detalhes da demonstração o leitor poderá obter no suplemento que reúne nas páginas finais do presente volume as respostas do autor a essas e outras criaturas inquietas que, à simples
audição da palavra “imbecil”, logo saíram gritando: “É comigo!” e manifestando o desejo incontido de dar com a cara na mão do autor. O suplemento destina-se a pedir a essa parcela
do público que se acalme e aguarde na fila, pois, não havendo escassez de carapuças na praça, não há também motivo de afobamento.
OLAVO DE CARVALHO
O Ministério da Saúde adverte:
O Imbecil Coletivo faz mal aos imbecis individuais.

sábado, 20 de dezembro de 2008

“LIÇÃO BÁSICA DE LÓGICA”

Tendo notado uma “pequena” deficiência de meus colegas universitários, quanto à lógica básica, estarei lhes dando uma noção do erro que costumam cometer, quase que diariamente. Vamos lá, a árdua, mas necessária, lição.
Quando alguém ataca, no campo intelectual, um individuo ou grupo não está automaticamente defendendo o seu contrario. Farei uma pequena equação, visto que os universitários adoram equações. Sendo A diferente de B, ao se atacar A não se está defendendo B, a não ser que B seja citado, direta ou indiretamente. E ainda, se A é o inverso de Z, quando se defende A é possível que se esteja a atacar Z e vice-versa, mas não automático esse ataque!
Mais claramente, quando se ataca as FARC não está se defendendo o Presidente Uribe ou a “Política dos EUA”, está se atacando um grupo de narco-guerrilheiros, que vem envenenando a America do sul com suas drogas, e pronto. É claro que em alguns casos o autor pode, repito, pode estar defendendo o Uribe, a “política dos EUA”, a galinha da vizinha ou seja lá o que for, mas não obrigatoriamente!
O maniqueísmo com que são tratados todos os assuntos pela maioria das pessoas é um simplismo porco de quem não quer pensar. É bem mais fácil levar as coisas no “quem não é aliado é Talibã” do que tentar analisá-las. Bom, espero que essa lição básica tenha servido para que alguns “colegas” compreendam o que é a lógica. Se não, me enviem um e-mail que posso dar mais dicas, mas, por favor, não façam com que eu tenha que me repetir, detesto isso.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Só por preguiça.

Essa semana tinha muita coisa para fazer( maldito exame de Medieval!!!), isso aliado a
pura preguiça não me deixou escrever nada. Mas não deixarei meus milhares de fãs(heheheheheheh) sem ter o que ler.(Nem deixarem aqueles que não gostam do que falo sem o que lhes encomodar).

A elite que virou massa

Em 1939, Eric Voegelin observava que as condições essenciais para a democracia, tal como haviam sido concebidas no século XVIII, já não existiam mais. De um lado, a economia e a administração pública tinham se tornado tão complexas que o cidadão comum já não preenchia as condições mínimas para formar uma opinião racional a respeito: sua razão refluíra para o círculo estreito das atividades profissionais e familiares, deixando suas escolhas políticas à mercê de apegos emocionais, desejos pueris, sonhos e fantasias que o tornavam presa fácil da propaganda totalitária. De outro lado, as novas classes surgidas na sociedade moderna – o proletariado urbano, o baixo funcionalismo público, os empregados de escritório – eram bem diferentes dos pequenos proprietários que criaram a democracia iluminista: eram exemplares do “homem massa” de Ortega y Gasset, menos inclinados à busca da independência pessoal do que a confiar-se cegamente à mágica do planejamento estatal e da disciplina coletiva. Tudo, no mundo, convidava ao totalitarismo.

Passados setenta anos, a composição da sociedade tornou-se ainda mais vulnerável à manipulação totalitária. O advento de massas imensas de subempregados, dependentes em tudo da proteção estatal, somada à destruição da intelectualidade superior por meio da transformação global das universidades em centros de propaganda revolucionária, reduziu praticamente o eleitorado inteiro à condição de massa de manobra. As conseqüências disso para a democracia foram devastadoras:

1. A quase totalidade dos eleitores já nem tem idéia do que possa ter sido a independência pessoal, e aqueles que ainda sabem algo a respeito estão cada vez mais dispostos a abdicar dela em troca da proteção governamental, de benefícios previdenciários, etc.

2. A defesa das liberdades públicas e privadas tornou-se irrelevante. A mística do “planejamento” apossou-se de todas as consciências ao ponto de que o que resta de debate público ser hoje nada mais que o confronto entre diferentes – e em geral não muito diferentes – planos mágicos.

3. A possibilidade mesma de iniciativas sociais independentes foi praticamente eliminada, na medida em que a regulamentação das ONGs as transformou em extensões da administração estatal e em instrumentos de manipulação das massas pela elite iluminada e bilionária.

4. A “liberdade de opinião” tornou-se apenas a liberdade de aderir a distintos ou indistintos discursos de propaganda pré-moldados. O exame racional da situação tornou-se virtualmente incompreensível, sendo marginalizado ou absorvido, malgré lui, em algum dos discursos de propaganda existentes.

5. A implantação de políticas de controle totalitário – da economia, da cultura, da religião, da moral, da vida privada – mostrou-se plenamente compatível com a subsistência do processo eleitoral formal, hoje tido como suficiente para conferir a uma nação o título de “democracia”. Com esse nome ou o de “democracia de massas”, a ditadura por meios democráticos tornou-se praticamente o regime universal.

6. Restringir o uso da racionalidade às atividades profissionais imediatas, abandonando as escolhas políticas à mercê de sonhos e desejos irracionais, deixou de ser um hábito limitado às classes populares. As próprias “elites”, hoje em dia – empresários, militares, jornalistas e formadores de opinião em geral – são tão dependentes de propaganda, slogans e imagens ilusórias, tão incapazes de um exame realista do estado de coisas, quanto os empregadinhos de escritório de que falava Eric Voegelin. Se um analista político lhes dá fatos, razões, diagnósticos fundamentados e previsões acertadas, a “elite” se sente mal. Ela não se ofende quando você lhe sonega a verdade, como ocorreu no caso do Foro de São Paulo ou da biografia de Barack Hussein Obama, mas quando você lhe conta alguma verdade que divirja das pseudocertezas estereotipadas da mídia popular, hoje investida de autoridade pontifícia. A elite, em suma, tornou-se massa – e, como massa, não quer conhecimento, visão, maturidade: quer aquele reconforto, aquele amparo psicológico, aquelas ilusões anestésicas que os manipuladores totalitários jamais deixarão de lhe fornecer.

O exercício da razão, hoje, é um privilégio dividido entre os grandes planejadores estratégicos e engenheiros comportamentais, que por motivos óbvios não pensariam em partilhá-lo com ninguém mais, e os estudiosos independentes que tentam em vão partilhá-lo com quem não o deseja.

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 1 de dezembro de 2008