Nessa época de eleições ocorre um estranho fenômeno, que tal
como repentinamente surge também finda após a contagem dos votos. Este fenômeno
consiste em milhares de pessoas se tornarem da noite para o dia, sem ter lido
um livro, sem ter estudado um teórico, sem ter meditado sobre o assunto nem cinco
minutos, especialistas em política e ideologia.

Muitos leitores dirão: “Mas isso
é comum, cada um quer defender o seu”. Certamente que o que relatei não é
novidade alguma, nem a observação do fenômeno, nem da análise de suas origens.
Esse é o principal problema. Quando alguém ingere um veneno sem saber o que
bebe é um acidente, quando sabe é suicídio.
Dar
ouvidos a essas pessoas, sabendo que têm intenções claramente ligadas a uma
tentativa de elevação social é, na mais branda das possibilidades, uma tremenda
burrice. É um claro sintoma de
degeneração quando um mal é visto com normalidade. No Brasil vemos o furto e a
trapaça simbolizando a esperteza e a inteligência, a canalhice e a
“malandragem” como pré-requisitos para alguém ser um gestor público. Há como ter
esperanças em um povo que levanta templos ao vício e envia às masmorras as
virtudes?
Para
não dizerem que caio na mesma vala comum onde se atiram por vontade própria os
críticos sem soluções, os anunciadores do mal absoluto, vejo sim uma saída para
esse, assim como para vários dos problemas que temos no país. As soluções são a
educação e o fim da glorificação do canalha como o tipo modelo em nossa
cultura.
Um adendo, quando falo “educação”
não cito a pedagogia moderna que corre por nossas escolas e universidades, onde
se o professor repreende um aluno, por estar socando a cara de um colega, é
tachado de retrógrado e reacionário. Falo da verdadeira educação onde é
transmitida ao aluno a herança cultural que foi juntada ao longo dos
séculos. Ou educamos no presente ou
nunca teremos um futuro.